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Lançamento   23/05/2026

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01. VIÉS
 
Quanto mais eu tento não sentir
Mais vontade nasce em mim
No fundo eu sempre soube
Nada disso é novidade, enfim
   
Eu queria sair e me jogar, mas eu fiquei
Já sabendo como ia ser o fim 
Mas eu vi tudo mudar
E ainda assim eu chamei de sorte
 
Não é o que acontece comigo, é como eu vejo
Distorço tentando entender
E a verdade que passa na minha cara
Às vezes eu escolho não ver 
 
É só viés
Eu torço o mundo pra caber em mim 
Eu chamo de sorte, de começo ou fim
Mas é só projeção do que existe aqui 
 
É só viés
Eu vejo o que eu quero ver
Mesmo quando tudo muda ao redor  
Eu insisto em não perceber
    
A gente aprendeu a fingir que tá tudo bem
Mas essa dor me empurra pra onde eu não queria ir 
Eu não escolho o que eu sinto, baby 
Mas escolhi nunca mais fugir 
   
Talvez essa dor não queira me destruir
Só tá me mostrando onde eu devo ir
Minha vida sempre foi meio confusa 
Quando achei que era o fim
Era só o pico da onda
 
Não é o que acontece comigo, é como eu vejo
Distorço tentando entender
E a verdade que passa na minha cara
Às vezes eu escolho não ver 
 
É só viés
Eu torço o mundo pra caber em mim 
Eu chamo de sorte, de começo ou fim
Mas é só projeção do que existe aqui 
 
É só viés
Eu vejo o que eu quero ver
Mesmo quando tudo muda ao redor  
Eu insisto em não perceber
   
Eu escolhi nunca mais fugir
Eu escolhi nunca mais fingir
 
Eu escolhi nunca mais fugir
Eu escolhi nunca mais fingir


 

 


02. AMAR DÓI

  

Um brinde hoje à nossa juventude
Que acredita nas suas verdades
E cede a razão por compaixão
 
Às vezes, no escuro do quarto
Me pergunto se tem algum feitiço
Que me impede de viver o real?
 
Amar dói 
É um vício nocivo 
Mas só assim me sinto vivo 
 
Amor machuca
Mas é o que a alma busca 
Cura, acalma e nos ajuda 
 
Pois sem amor nada faz sentido
Não queira mais viver escondido
Só porque um dia foi ferido
 
Às vezes, no escuro do quarto
Me pergunto se tem algum feitiço
Que me impede de viver o real?
 
Amar dói 
É um vício nocivo 
Mas só assim me sinto vivo 
 
Amor machuca
Mas é o que a alma busca 
Cura, acalma e nos ajuda
 
Porque sem amor eu não viverei
Sem amor, não viverei!
 
Amar dói 
É um vício nocivo 
Mas só assim me sinto vivo 
 
Amor machuca
Mas é o que a alma busca 
Cura, acalma e nos ajuda
 
Porque sem amor eu não viverei
Sem amor, não viverei
 
Sem amor eu não viverei
Sem amor, não viverei

Amar dói
Amor machuca

 

 

03. MEU DEUS

Não é o Deus dos cristãos 
Não é o Deus do alcorão 
Não é o Deus dos ateus 
Não é o Deus do povão
 
O meu Deus é só meu 
Habita no que sou 
Não tem templo ou altar 
Onde eu vou, ele já está

Não dita castigo, não impõe o temor 
É a luz da manhã no seu ciclo de amor
Não pede adoração, mora no coração 
No silêncio do campo, na força da imensidão 
 
Sem rito, sem sacrifício
Seguindo o ciclo, eterno ciclo 
 
Não é o Deus dos cristãos 
Não é o Deus do alcorão 
Não é o Deus dos ateus 
Não é o Deus do povão
 
É luz que se espalha, é pura energia 
Força da natureza, sopro de rebeldia 
Guia meus passos, de noite ou de dia 
E se revela nos bytes da IA 
 
Meu Deus é a própria vida 
Não precisa de devoção 
Segue o curso da evolução 
A resposta para minha intuição 
 
Sem rito, sem sacrifício 
Seguindo o ciclo, eterno ciclo 
 
Não é o Deus dos cristãos 
Não é o Deus do alcorão 
Não é o Deus dos ateus 
Não é o Deus do povão

 

 

 

 

 

 

04. JUSTO MEIO

  
Entre o tudo e o nada eu me perdi

Quis ser mais, quis fugir de mim
Excesso pesa, falta também
No meio do caminho eu começo a ver
 
Nem tão alto pra não cair
Nem tão baixo pra desistir
    
Eu quero o justo meio
Nem santo, nem vilão
Equilíbrio no peito
Razão na direção
 
Eu quero o justo meio
Sem medo de sentir
Viver com propósito
Sem destruir
 
Felicidade não é prazer
É construir e permanecer
Cada escolha molda quem sou
No que repito é onde eu vou
 
Virtude é hábito
Hábito vira destino
 
Nem se perder no querer demais
Nem se apagar por querer paz

Eu quero o justo meio
Nem santo, nem vilão
Equilíbrio no peito
Razão na direção
 
Eu quero o justo meio
Sem medo de sentir
Viver com propósito
Sem destruir
 
Tudo tem causa, tudo tem fim
Mas o sentido começa em mim
 
Eu sou o justo

 

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"JUSTO MEIO" apresenta o Conceito filosófico de Aristóteles, 
que chamou isso de “doutrina do meio-termo” (mesótes).

 

 

 

 

05. CRER É CRIAR

  

Eu tava no ruído da própria mente
Crença rígida e dor permanente 
Repetia o medo como oração 
Sem saber que rogava a própria prisão 

 

Mas no silêncio antes de dormir
Algo em mim me fez sentir 
Uma voz dizendo bem devagar:
“Você é o que decide acreditar”
 
Mudei por dentro e o mundo cedeu
Reescrevi tudo que me prendeu
Programei meu sonho, já vive em mim 
E o impossível veio e disse sim 
 
Comecei a falar sem duvidar
Frases simples pra me programar
Senti antes mesmo de acontecer
Como se já pudesse isso viver 
 
Agora ando firme, sem olhar pra trás
O caos não me contamina mais
Construí na minha mente a paz
Realidade curva — que vem e que vai 

 

Mudei por dentro e o mundo cedeu
Reescrevi tudo que me prendeu
Programei meu sonho, já vive em mim 
E o impossível veio e disse sim

Crer é Criar
Crer é Criar 

Mudei por dentro e o mundo cedeu
Reescrevi tudo que me prendeu
Programei meu sonho, já vive em mim 
E o impossível veio e disse sim

 

Crer é Criar
Crer é Criar 

 

 

 

 

 

 

06. URBANA LEGIO OMINIA VINCIT 
(para Legião Urbana)
   

Será que Ainda é Cedo pra entender?
Que Por Enquanto é Só Por Hoje
O Tempo Perdido não vai voltar
Há Tempos é sempre Mais do Mesmo
     
No Monte Castelo moram os Soldados cansados
Sete Cidades destruídas Depois do Começo
Pais e filhos e os Índios aprenderam a não esquecer 
Que a Fonte dos Anjos continua Esperando por Mim
     
Será que Ainda é Cedo pra entender?
Que Por Enquanto é Só Por Hoje
O Tempo Perdido não vai voltar
Há Tempos é sempre Mais do Mesmo
    
Longe do Meu Lado Maurício veio dizer
Que o mundo anda tão complicado
E o Metal Contra as Nuvens fez A Tempestade
Quase Sem Querer Eu Sei A Dança 
     
Será que Ainda é Cedo pra entender?
Que Por Enquanto é Só Por Hoje
O Tempo Perdido não vai voltar
Há Tempos é sempre Mais do Mesmo
 
Será?
Será que Ainda é Cedo?
Por Enquanto é Só Por Hoje 
 
Urbana Legio Omnia Vincit 
Urbana Legio Omnia Vincit  

07. Tempo de Rio (Para Caetano) 

      

Quero correr 
Quero amar 
Quero preguiça

Quero malhar 
Quero voar 
Vitalidade  
 
Rio

É o vigor 
É o suor 
Força da vida

É a estação 
De alto tesão 
Atividade
 
Rio 
Eu quero teus meninos 
Eu quero teus meninos 

Rio 
Eu quero teus meninos 
Eu quero teus meninos 
 
O Rio está 
Cheio de gás 
Sérgios e Hélios 
Ricardos e Marcelos e Renatos e Adrianos 
Paulos e Mários e Lúcios e Leandros 
Gilbertos e Denísios e Rocha Viva Pedro 
 
Rio 
Tempo de cio 
Eu quero teus meninos 
 
Rio 
Tempo de cio 
Eu quero teus meninos 
 
Quero correr 
Quero amar 
Quero sonhar

Quero malhar 
Quero voar 
Vitalidade
 
É o vigor 
É o suor 
Força da vida

É a estação 
De alto tesão 
Atividade
 
Rio
Tempo de cio
Eu quero teus meninos
 
Sérgios e Hélios
Ricardos e Marcelos
Renatos e Adrianos

 

 


 

 

08. Uma Banda (Para Chico)

 

Tava largado no mundo
Um riff me encontrou 
Pra ver a banda tocar
O velho e bom rock’n’roll 
   
A cena que tava esquecida 
Levantou com esse som 
Pra ver a banda tocar
O velho e bom rock’n’roll 
 
O tio do bar puxou fumaça e sorriu  
O sertanejo no canto de repente sumiu  
A mina na grade, perdida na tela  
Parou no tempo pra ouvir o som 
 
A moça calada saiu do lugar
A rua cinza começou a pulsar
E a galera toda se encontrou
Pra ver a banda tocar
O velho e bom rock’n’roll 
   
Tava largado no mundo
Um riff me encontrou 
Pra ver a banda tocar
O velho e bom rock’n’roll 
    
A cena que tava esquecida 
Levantou com esse som 
Pra ver a banda tocar
O velho e bom rock’n’roll
 
O velho vibrando largou tudo e cantou 
No peso do riff outra vez dançou
O jovem do trap colou então
E sentiu o peso do refrão 
     
O funk parou quando o riff surgiu  
O samba atento também reagiu 
O Brasil inteiro se encontrou 
Pra ver a banda tocar 
O velho e bom rock’n’roll 
     
Mas quando a luz apagou 
O som virou lembrança  
O mundo voltou pro lugar  
Depois que a banda passou 
 
E cada um no seu canto 
Com um resto de som  
Um eco perdido no peito  
Do velho rock’n’roll 
    
Depois da banda tocar
O velho e bom rock’n’roll 
 
Depois da banda tocar
O velho e bom rock’n’roll 

 

 

 

 

 

09. Privilégio 
 

Privilégio decide tudo
Privilégio decide tudo

Privilégio

Há uma diferença enorme 
Na nossa sociedade 
Um abismo intransponível 
Entre privilégio e igualdade 
   
Nosso destino não é determinado 
Pelas nossas habilidades 
Pelos nossos méritos 
Pelos nossos esforços 
 
Nosso destino é determinado
Por estruturas herdadas
Por tradições enraizadas
Por hierarquias preservadas 

Privilégio decide tudo
Privilégio decide tudo

Nosso caminho já vem desenhado
Por regras do passado
Que moldam um futuro herdado
 
Nosso destino vem definido
No instante que nascidos
É o privilégio que traça o caminho escolhido
 
Privilégio
É o privilegio define o rumo seguido 
 
Privilégio decide tudo
Privilégio decide tudo
 
O nosso destino é decidido
Bem na hora que nascemos
Isso se chama privilégio

E a grande ilusão do bem estar social
É a crença de que dar saúde e educação 
Criam oportunidades iguais para todos
 
Assim a responsabilidade 
Cai sempre em mim 
Assim toda responsa
Cai sempre em mim


E se algo der errado
A culpa será minha sim 

Privilégio decide tudo
Privilégio decide tudo
 
Nosso destino vem definido
No instante que nascidos
É o privilégio que traça o caminho escolhido

Privilégio
É o privilegio define o rumo seguido 

Privilégio decide tudo
Privilégio decide tudo

Uma forma de proteger a elite  mandante
Dos ataques de um sistema 
Que a séculos só a beneficia

Privilégio.

 

 

 

 

10. Eu Não Vim Pedir Perdão

  

Eu não vim pedir perdão
Nem buscar explicação
Só quero ouvir o silêncio
Entre o sim e o não

Se você disser que fica
Eu talvez não vá ficar

Eu não nasci pra ser metade
Nem pra viver pela metade

Se for pra ser verdade
Que doa de verdade

Eu
… Eu

Eu não vim pedir perdão
Nem buscar explicação
Só quero ouvir o silêncio
Entre o sim e o não

Se você disser que fica
Eu talvez não vá ficar

Eu não nasci pra ser metade
Nem pra viver pela metade

Se for pra ser verdade
Que doa de verdade

 

 

 

 

11. O Luto das Coisas Invisíveis

  

Existe um tipo de luto que não tem velório
Não recebe flores
E ninguém sabe o que a gente está vivendo
É o luto das coisas que não aconteceram
 
Desde cedo aprendi a lidar 
Com perdas concretas
A morte de alguém querido
O fim de um trabalho
O adeus a um amigo
Um relacionamento que acaba

  

Há rituais, abraços, mensagens
Choros, confissões
Uma narrativa para a dor
Mas ninguém nos prepara 
Para as despedidas invisíveis
Para aquilo que não chegou a existir 
E que ainda assim
Ocupa um espaço inteiro dentro da gente

  

Às vezes é uma cidade onde queria morar
Onde até vi uma casa
A biqueira da esquina 
E o caminho até a praia

    

Em algum momento
A vida virou para o outro lado 
E sem perceber nunca mais voltei àquela rua 
Onde ia viver para sempre 
Na minha cabeça

   

Outras vezes é um amor
Não um amor longo
Pior, um amor possível 
Aquele que parou na fase do quase
Havia planos, datas marcadas
Uma passagem que nunca foi comprada
A roupa escolhida e até trilha sonora
 
Nada terminou oficialmente
Mesmo porque nunca começou
Anos depois nem sei mais 
O que foi feito daquela pessoa
Ainda assim
Sinto saudade de quem eu seria ao lado dela
 
Há também o filho imaginário
O nome escolhido, a escola pensada
As histórias que contaria
E nos silêncios da mente
Percebe-se que existe alguém 
Que nunca nasceu 
E ainda assim
Nunca deixou de existir

   

Não é frustração exatamente
É um reconhecimento delicado
De que viver também é 
Fechar portas internas
Curioso é que estas perdas
Não podem ser confessadas 
Com facilidade
 
Outro dia confessei a amigos
Que já sonhei ser um popstar 
Todo mundo riu 
Meu desejo pareceu um absurdo
Mas era verdade
Em algum lugar do espaço e tempo
Existe uma versão 
Minha Popstar
   
Como explicar 
Que sinto falta de algo 
Que nunca aconteceu?
   
Parece ingrato
Dramático demais
Então sigo adiante
Pago as contas, dou risadas, marco passeios
E carrego pequenas biografias paralelas 
Que ficaram pelo caminho
    
Talvez amadurecer seja isso mesmo
Aprender conviver com vidas não vividas 
Sem tratá-las como fracassos
Elas não foram erros
Foram possibilidades
E possibilidades nem sempre existem 
Para serem realizadas
 
No fim, não somos feitos 
Apenas das escolhas queremos
Mas também das que ficaram suspensas no ar
Como num palco que um dia cantei
Ainda brilho 
Mas só na imaginação
 
Crescer é aceitar
Que várias vidas minhas
Não vão acontecer
E mesmo assim
Seguir inteiro

 

 

2024 / 2026 

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